‘Poluição Indoor’, um problema invisível

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Muito se fala sobre os males da poluição às pessoas. Estudos feito na China, um dos países com maior índice de contaminação do ar, mostram que a poluição é causadora de doenças respiratórias, mas também de estresse, derrames, entre outras. Porém, a “Poluição Indoor”, aquela que encontramos em ambientes fechados, nem sempre é lembrada, apesar de causar danos graves.

É um problema invisível, mas que pode interferir diretamente na vida das pessoas, inclusive na produtividade e no bem estar. Estudos comprovam que ambientes saudáveis, com boa iluminação, boa qualidade do ar, entre outros fatores, podem gerar aumentos de 8% a 11% no desempenho no estudo e no trabalho.

Hoje, no Brasil, o número de pessoas que sofrem de rinites está entre 20 e 50 milhões. No outono, a situação se agrava mais, pois nesse período há redução das chuvas, da temperatura e a chegada da seca. Época em que a qualidade do ar varia, mesmo nos ambientes internos.

São vários os fatores que podem causar enfermidades. Além de microorganismos e bactérias encontrados no ar e nas superfícies, produtos de limpeza, fumaça, tinta, poeira, cloro, cigarro etc, podem deixar a saúde do ocupante do local fragilizada. Quanto mais se respira ar impróprio, mais sobrecarregado fica o sistema imunológico, sem falar da possibilidade de infestação de fungos e mofos. Os equipamentos de ar-condicionado são grandes vilões nesse caso, falta de manutenção adequada contribui para proliferação dos contaminantes.

Nos prédios de uso coletivo com grande circulação de pessoas, como escolas, shoppings, hospitais etc, o risco de doenças ainda é maior. O problema chegou a um ponto tão preocupante que no inicio do ano, foi sancionada a Lei Federal n° 13.589, que torna obrigatória a execução de um Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC) destinados aos sistemas e aparelhos de ar-condicionado. Todos os estabelecimentos deverão estar regularizados, sob pena de multa que poderá chegar ao valor de até R$ 200.000,00 (duzentos mil reais).

Mas não são apenas esses locais de precisam de atenção, ambientes menores, como os domésticos, também precisam de cuidados. Hoje, já existe no Brasil, tanto paras as residências, quanto para os grandes empreendimentos, tecnologias para a medição e descontaminação do ar, das superfícies e dos equipamentos de ar-condicionado. Os trabalhos de pesquisa e desenvolvimento nesse setor têm trazido ao mercado tecnologias inclusive mais sustentáveis, que promovem a eliminação das contaminações e ainda a economia de energia.

O conceito de construção sustentável, hoje, extrapola a questão da preservação ambiental e o uso controlado dos recursos e o bem-estar dos ocupantes tem sido um dos principais pontos de atenção nesse tipo de edificação. E quanto mais cedo a “Poluição Indoor” for considerada em um projeto de edificação, seja comercial ou residencial, menor o custo e maior a eficácia da solução.

Henrique Cury é diretor da Ecoquest do Brasil e membro da Abrava

henriquecury@ecoquest.com.br

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